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sábado, 12 de janeiro de 2008

Pastor Isaltino Gomes

O Pastor Isatino é da Igreja Batista em Cambuí; vai um texto deste excelente pregador.

Dez Sugestões para Falar Bem em Público

Prof. Isaltino Gomes Coelho Filho

1. Lembre-se de que o auditório deseja seu sucesso - Muitas vezes o orador se desespera vendo o auditório diante dele como se fosse um juiz ou como se estivesse para ver sua desgraça. Não se apavore. O auditório deseja o bom sucesso do orador. Está ali para receber a mensagem que este tem para lhe entregar. O fracasso do orador é o fracasso do auditório e, na medida em que o orador se mostra inseguro ou temeroso, o auditório se inquieta. O bom sucesso do orador é o bom sucesso do auditório. Na medida em que o orador vai se mostrando seguro, convicto e transmitindo informações que acrescentem à vida dos ouvintes, o auditório vai se mostrando seguro e tranqüilo. Por isso, aceite o fato de que os ouvintes lhe são simpáticos. Adote uma posição de empatia, de interação com seus ouvintes.


2. Seja autêntico - É bastante provável que algum pregador lhe tenha influenciado no estilo. Isto é normal. Mas não o imite. Seja você mesmo. A comunicação é também a pessoa. Não comunicamos apenas idéias. Comunicamo-nos também. Comunicamos nossa pessoa, nosso jeito de ser, nossa cultura, nossa personalidade. O auditório sente quanto o pregador é artificial (voz artificialmente impostada, tom afetado, pose que não é a usual). Ninguém gosta de fingimentos. A autenticidade é fundamental porque produz naturalidade. Quando se é natural e espontâneo o impacto da comunicação é maior. Sabe-se que a pessoa é verdadeira. O próprio orador se sente mais seguro porque está sendo o que realmente é. O povo crê e ele não tem que se preocupar em manter um clima artificial.

3. Pronuncie bem as palavras - Isto não significa ser artificial ou pedante. Significa ser claro e compreensível. Não engula sílabas, principalmente as átonas finais, em uma palavra proparoxítona ou paroxítona. Não engula os rr e os ss finais. Por exemplo: não pronuncie “os apóstolo”. E menos, ainda, “us apostu”. Pronuncie “os apóstolos”. Não diga está, fazê, dizê. É estar, fazer e dizer. Pronuncie os ii e os uu intermediários. Não é primêro, mas “primeiro” que se diz. Não é dorado, mas “dourado”. Fale direito, como pessoa escolarizada. Evite as apócopes, como o falar do sujeito na feira, que ao invés de pedir “me dá um pedaço de abóbora d’água” diz “me dá um peda da boba dágua”. Não é ou tamo. É estou e estamos. Não existe o número dolze. É doze. Quem fala quato é locutor da Globo. O número é quatro. Casa própia não existe. Existe casa própria. Não existe o número “um mil”. É mil, apenas. Estude português, aprenda a se expressar acertadamente. Falar corretamente não é afetação. O povo respeita quem fala corretamente. Admira-se. Uma reportagem publicada há tempos no O Jornal do Brasil, do Rio, mostrou que a pessoa que o carioca mais respeita e até teme é o professor de português. O carioca se sente respeitoso com o professor. Mas do ponto de vista prático, a lição é esta: quando se pronunciam corretamente todos os fonemas a mensagem é mais bem compreendida. Sua imagem será muito mais respeitada. Faça exercícios de dicção. Leia em voz alta. Grave sua leitura e corrija seus erros. Veja o apêndice B de O sermão eficaz, p. 181. Eis alguns exercícios para você treinar:

1. O peito do pé do Pedro é preto.

2. Ri o rico Ricardo porque risonha lhe é a vida, range de raiva os dentes o pobre Papadoulos porque raivosa lhe é a barra.

3. No alto daquele morro há um ninho de magafaguifa com sete magafagafinhos. Quando a magafaguifa guifa, guifam todos os sete magafagafinhos.

4. Se o bispo de Constantinopla quisesse se desconstantinopolitanizar, quem seria o desconstantinopolitanizador que o desconstantinopolitanizaria? Teria ele que se autodesconstantinopolitanizar?

Procure outros mais para treinar sua dicção e pronúncia correta de palavras.

4. Cuidado com o tom de voz - Ênfase não significa grito. Falar alto demais cansa os ouvintes e esgotará sua voz. E dá uma impressão de desvario. Parece que muitos pregadores acham que grito é sinal de autoridade e conteúdo. Não é. Mas falar baixo demais produz desinteresse e sono. Não pregue como se estivesse lendo bula de remédio. Nem se como se estivesse vendendo tomate na feira e precisasse berrar como louco para ser ouvido. O volume da voz se relaciona com o ambiente. Quem fala para cinqüenta pessoas em um salão de trinta metros quadrados terá tom de voz diferente de quem prega para cinco mil pessoas num ginásio. Mas não grite nem murmure. Não seja muito lento, o que cansa e desestimula os ouvintes. Não seja muito rápido, falando como uma metralhadora ou como locutor de corrida de cavalos. Seu nome não é Enéas. Lembre-se do padrão: o povo deve ouvir bem todas as suas palavras e assimilá-las. Não imite aquele famoso deputado do programa A Praça é Nossa. Quem fala muito rápido não permite que suas idéias sejam bem assimiladas.

5. Alterne a velocidade da voz - A monotonia cansa o ouvinte, trazendo-lhe enfado. O estilo “metralhadora” durante todo o tempo também cansa e irrita. Haverá momentos mais lentos, momentos mais rápidos, ocasiões em que o tom deverá ser mais alto ou mais baixo. Evite os gaguejos, como “du, du, du, da, da, da”, tão comuns. Evite os “ah, ahn, é, que alguns têm a mania de intercalar nas frases. Isso não é elegante. Parece mais lentidão de raciocínio. A pessoa não consegue falar e em toda frase larga um “ahn” ou um “é”. Evite terminar cada frase com um “né”. Estude bem o que vai dizer. Quando começar a sentença, saiba exatamente o que vai dizer, sem vacilações.

6. Cuidado com o vocabulário da voz ­ ­- Gírias não ficam bem no púlpito. Nem o preciosismo literário, tipo “esta grei” em vez de “esta igreja”. O primeiro caso, a gíria, evidencia pobreza intelectual ou vocabular. O segundo mostra pernosticismo. O púlpito trata das coisas sagradas e a vulgaridade da gíria diminui o valor do que se trata. Ao mesmo tempo, o púlpito deve ser entendido por todos. É verdade que alguns pregadores, por seu nível cultural e pelas leituras, acabam tendo um vocabulário não usual, mas falar complicado é frustrar o objetivo de ser compreensível. Erudição não é falar complicado. A verdadeira erudição é falar as coisas mais profundas em termos compreensíveis. Mire-se no exemplo do Mestre. Quem não entende o sermão do monte? Quem não compreende o sentido das parábolas? Pode-se distorcer o sentido, mas o significado é bem simples. Evite o teologuês, o igrejês, o batistês e o pentecostês. Por exemplo: o que significa dizer que “Jesus é uma bênção”? O que quer dizer isto para uma pessoa não crente? Que significa “o culto foi poderoso”? Já viu coisa mais pobre e sem sentido que “maravilha gostosa”? O que uma pessoa não evangélica entende disto? Que significa, para uma pessoa não crente, esta expressão ouvida em um sermão: “o neonascido foi justificado e lavado no sangue do Cordeiro Glorificado”? E este trecho de uma mensagem: “o processo soteriológico tem sua culminância concretizatória na obra vicária do Logos humanizado”, quer dizer o quê para uma pessoa não crente? E, mesmo para uma pessoa crente, por que não se diz em linguagem de gente normal? Lembre-se: pregamos para ser entendidos e não para mostrar erudição. Pregamos para glorificar a Jesus e não depreciá-lo com palavras vulgares.

7. Cultive o seu idioma - Estude português. Não é um bicho de sete cabeças. O que há é preguiça e conformismo. Leia bons autores. Preste atenção ao que lê. É inconcebível um estudante ler “Jerusalém” na Bíblia e escrever “Jeruzalém” no seu caderno. Falta muita atenção. Há regras elementares de gramática que devem ser obedecidas e são fáceis de aprender. A leitura é a melhor fonte de aprendizado. Lembre-se que um erro gramatical pode destruir a argumentação. Conta-se a história do aluno que transcreveu Marcos 16.6 sem pontuação alguma. Ficou assim: “Buscais a Jesus o nazareno que foi crucificado ele ressurgiu não está aqui eis o lugar onde o puseram”. Uma pessoa leu assim: “Buscais a Jesus, o nazareno que foi crucificado? Ele ressurgiu? Não, está aqui. Eis o lugar onde o puseram”. São as mesmas palavras, mas a pontuação mudou o sentido por completo. Estude português e leia bons livros. Cuide bem de sua capacidade de verbalização de idéias.

8. Quanto à apresentação pública - A postura do pregador é fundamental para seu bom desempenho. Há algumas atitudes que devem ser evitadas e outras que devem ser praticadas. Evite as mãos no bolso, como se fosse modelo de roupas ou malandro. Evite sacolejar moedinhas no bolso como fundo musical para sua pregação. Evite aquele tira óculos e põe óculos. Ponha-se firme em pé sobre as duas pernas e não apenas apoiado ora numa ora noutra. Deixe uma distância de uns quinze centímetros entre uma perna e outra. Isso distribui bem o peso do corpo, favorece a circulação e ajuda a diminuir a tensão nervosa. Para aliviar mais a tensão, respire fundo e solte o ar lentamente. Não se apresente de ombros caídos, tipo “cachorro espancado” que está pedindo perdão a Deus por ter nascido. Sem ser arrogante, seja seguro. Procure mostrar na fisionomia o que está dizendo. O bom pregador não prega apenas com a voz, mas com o corpo e, principalmente, com o rosto. Olhe as pessoas. Bancos, paredes e teto não se convertem. Só gente. Olhe o povo. As pessoas crêem mais em quem lhes fala olho no olho. Por isso, olhe para elas. Não se preocupe com os gestos. Deixe os braços naturalmente, ao longo do corpo, sem se preocupar em usá-los. Pouco a pouco, com o andamento da mensagem, você os moverá. Não force a situação, portando-se como um helicóptero, batendo asas furiosamente. Acontecerá, normalmente. Tome muito cuidado com gestos. Por exemplo: o gesto do dedo indicador apontado para uma pessoa é o gesto mais antipático que existe. Não adianta dizer “Jesus te ama” e brandir um punho cerrado, com cara de mau, para o ouvinte. Um excelente livro sobre gestos é O Corpo Fala, de Pierre Weil, da Editora Vozes. Vale a pena lê-lo.

9. Quanto à argumentação - Sua fala deve ter início, meio e fim. Em linguagem homilética, isso significa introdução, corpo e conclusão. São partes essenciais do discurso e também do sermão.

Início - Busque atrair os ouvintes. Lembre-se da fórmula de Publicidade: A I D A (atrair, interessar, desenvolver, adquirir). Lembre-se de seu auditório estará atento e cauteloso, no início. “O que vai sair daí?” é a pergunta na mente de muitos. Seja interessante logo no início. Por isso, cuide bem da primeira sentença, evitando a banalidade. Começar com “O mundo está em crise” é a coisa mais banal que se pode ouvir. Quando Adão e Eva foram expulsos do Éden, um deve ter dito isto para o outro. Quando o mundo não esteve em crise? Uma ilustração é bem-vinda. Um problema levantado é oportuno. Uma frase de impacto (não confunda com sensacionalismo) ajuda bastante. Um autor respeitado e conhecido ajuda bastante. Li, diariamente, por muitos anos, a coluna de Joelmir Beting, sobre economia. A primeira coisa que fazia era ler a citação do dia. Mostre humor sem descambar para a pândega e hilaridade. Seja bem humorado, mas não seja palhaço. Manifeste domínio do assunto que está abordando. Se não conhece o assunto, tenha o bom senso de não abordá-lo. Seja sempre atual, ligando sua palavra inicial com algo que os ouvintes conheçam. Contar um episódio do século XVI na Baixa Eslovênia, sobre um assunto pelo qual ninguém se interessa, é suicídio oratorial. Por isso fuja dos enlatados de ilustrações, tipo Tesouro de Ilustrações. Suas ilustrações devem ser sempre atuais. Deixe uma ligação clara com o ambiente ao qual está pregando.

Algumas coisas a fazer, no início:

1ª) Não peça desculpas, dizendo que não se preparou, que não está à altura, etc.

2ª) Não comece contando piadas.

3ª) Não faça perguntas que você não pode responder ou para as quais não deseja perguntas.

4ª) Não tome partido em questões nas quais a congregação não tenha unanimidade.

5ª) Não seja banal, com frase como “a vida é dura”. Uma coisa tão óbvia, assim, não lhe trará interesse.

6ª) Não apele para o sensacionalismo.

O corpo da argumentação - Ao deixar o início (ou introdução) e entrar no corpo, diga numa única frase o que pretende dizer. Por exemplo; “Nesta noite desejo falar sobre a segurança que tem a pessoa que põe sua fé em Jesus Cristo”. Em seguida, mostre como isso se relaciona com o texto ou se baseia nele. Desenvolvendo o assunto, deixe bem claras as divisões para que as pessoas compreendam o rumo da pregação. No seu argumento, use a exegese do texto, dados estatísticos, ilustrações, citações, etc., sempre com critério. Nunca deixe de fazer aplicações à vida das pessoas que o ouvem enquanto fala.

A conclusão - Pode-se recapitular o que foi dito, pode-se utilizar um argumento que enfeixe tudo o que foi dito, pode-se voltar ao ponto de partida e mostrar que provou sua tese ou que respondeu à questão que levantou. Deixe bem claro que o que disse faz parte de sua vida e desafie o auditório a se apropriar da sua mensagem. Os ouvintes precisam saber que sua palavra deve ser respondida com uma atitude. Desafie-os a fazerem o que foi dito. Não envie recados. Chame o povo a tomar uma atitude. Sua linha de argumentação, embora você não diga isto explicitamente, deve ser a seguinte: “Eu desejo que vocês façam isso”. Não diga “era isso que eu tinha” ou “já estou terminando”. Não peça desculpas, como o autor de Macabeus. Tendo falado em nome de Deus deixe bem claro que não tem do que se envergonhar ou se desculpar e que o ouvinte é que tem que posicionar. Sua palavra deve ser segura e com autoridade. Se não tem autoridade, não fale.

10. Treine bastante - Não se conforme com o que é, mesmo que tenha alcançado sucesso como pregador. Busque melhorar. Busque crescer. Ouça quem seja um pregador melhor. Veja o que pode aprender dele. Grave seus próprios sermões e analise-os criticamente. Se tiver o hábito de escrever, leia e releia até encontrar uma forma que o satisfaça. Tendo pregado, analise seu sermão: quais os pontos em seu estilo e argumentação que podem ser desenvolvidos? Não fique deslumbrado ouvindo sua voz. Procure ver o que deve melhorar. Se vier a pregar o sermão outra vez, veja em que pode melhorá-lo.

Fonte: Igreja Batista em Cambui

Genêsis

Saudações, meus amigos, crie esse blog com o objetivo de lhes agraciar com alguns textos dos melhores escritores da atualidade. Não esperem textos da turma dos petralhas.
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